
As pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas mostram uma disputa próxima entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das Eleições 2026. Dados reunidos pelo agregador da BBC News Brasil apontavam, até terça-feira (15), 44% para cada candidato nesse cenário.
O resultado contrasta com o quadro registrado no mesmo período de 2022, quando Lula aparecia com 49% e Jair Bolsonaro tinha 40%, segundo dados da Polling Data, parceira da BBC. A diferença atual entre os candidatos torna relevantes os recortes por grupos do eleitorado, que apresentam comportamentos distintos nas pesquisas.
Eleitores sem identificação com os polos
Um dos segmentos destacados pelos especialistas é formado por eleitores que não se identificam diretamente com a esquerda ou com a direita e que também não demonstram vínculo definido com Lula ou Bolsonaro.
O tamanho desse grupo varia conforme a metodologia de cada instituto. Na Quaest, os chamados independentes representam cerca de 32% dos entrevistados. Já a Nexus/BTG classifica como não polarizados aproximadamente 18%.
Esses eleitores também apresentaram mudanças nas últimas sondagens. Na pesquisa Quaest de 2 de setembro, Augusto Cury chegou a registrar 24% entre os independentes, contra 21% de Lula e 9% de Flávio Bolsonaro. No levantamento de 14 de setembro, Cury caiu para 15%, enquanto Lula passou a 25%.
Para Yuri Sanches, chefe de risco político e análise política da AtlasIntel, parte desses eleitores tende a definir sua escolha mais próximo da votação. A cientista política Luciana Veiga também ressalta que não existe um perfil demográfico único para esse grupo.
Eleitorado evangélico
Entre os eleitores evangélicos, as pesquisas recentes registram vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
No levantamento Atlas/Bloomberg divulgado em 10 de setembro, o senador tinha 49,9% das intenções nesse segmento, contra 30,6% de Lula. Na Nexus/BTG, os números eram de 52% e 27%, respectivamente. Na Quaest, 41% contra 24%, e no Datafolha, 50% contra 22%.
A diferença, entretanto, apresentou oscilações ao longo das pesquisas. Na avaliação da cientista política Nara Pavão, parte desse eleitorado pode ter reagido às repercussões do caso Dark Horse, envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A campanha de Lula, por sua vez, tem buscado ampliar o diálogo com o segmento. Especialistas ouvidos pela BBC relacionam essa disputa à consolidação da agenda de costumes como um dos elementos do comportamento eleitoral de parte do eleitorado conservador.
Mulheres também aparecem como segmento de disputa
Outro recorte que apresenta diferenças nas pesquisas é o eleitorado feminino. As mulheres representam 52,8% do eleitorado brasileiro, segundo os dados apresentados no levantamento.
Na pesquisa Atlas/Bloomberg, Lula tinha 48% das intenções entre as mulheres, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Na Nexus/BTG, eram 47% e 33%; na Quaest, 37% e 29%; e no Datafolha, 41% e 30%.
O comportamento desse segmento teve peso na eleição presidencial de 2022. Análises citadas pela BBC apontaram que Lula teve desempenho superior entre as mulheres naquele pleito, enquanto Jair Bolsonaro apresentou vantagem entre os homens.
Eleitores com mais de 60 anos
Os eleitores acima de 60 anos representam 23,2% do eleitorado, de acordo com os dados apresentados na reportagem.
Nas pesquisas recentes, esse grupo aparece com maior intenção de voto em Lula no primeiro turno. Na Atlas/Bloomberg, o presidente registrou 56%, contra 37% de Flávio. Na Nexus/BTG, foram 51% e 33%; na Quaest, 44% e 31%; e no Datafolha, 42% e 34%.
Além da preferência declarada nas pesquisas, os institutos e especialistas destacam a questão da participação eleitoral. Para pessoas com mais de 70 anos, o voto é facultativo, o que torna a mobilização desse eleitorado um fator adicional a ser observado.
Sudeste concentra grande parte do eleitorado
A distribuição regional também apresenta diferenças. O Sudeste reúne 63,3 milhões de eleitores, aproximadamente 42% do eleitorado brasileiro, e aparece com resultados divergentes entre os institutos.
Na Quaest, Flávio Bolsonaro registrou 35% no primeiro turno contra 30% de Lula. No Datafolha, os números foram 37% e 35%. Já na Atlas/Bloomberg, Lula apareceu com 45%, contra 33% de Flávio, enquanto a Nexus/BTG registrou 42% para Lula e 33% para o senador.
Minas Gerais também é acompanhado de perto por analistas devido ao histórico eleitoral do estado. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram a eleição presidencial também conquistaram a maioria dos votos em Minas.
O estado reúne características regionais distintas, com áreas que apresentam maior proximidade cultural e política com diferentes regiões do país.
Cenário ainda pode mudar
Os números apresentados pelas pesquisas representam retratos do momento em que cada levantamento foi realizado e podem sofrer alterações ao longo da campanha. Além disso, diferenças de metodologia, período de coleta e margem de erro precisam ser consideradas na comparação entre os institutos.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os próximos levantamentos deverão mostrar como os diferentes segmentos do eleitorado estão respondendo às campanhas, aos debates e aos acontecimentos políticos das semanas que antecedem a votação.
Fonte: BBC Brasil.
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