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Brasil mantém tradição de abrir os discursos da Assembleia Geral da ONU

por Redação
John Moore/Getty Images

Quando os chefes de Estado e de governo dos 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) começarem a discursar no Debate Geral de 2026, o primeiro pronunciamento será novamente do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ocupar a tribuna na terça-feira (22), durante a 81ª sessão da Assembleia Geral.

A posição brasileira não está prevista como uma regra formal da ONU. Trata-se de uma tradição diplomática que se consolidou ao longo das décadas. A própria organização informa que o Brasil abre o Debate Geral desde 1955 e considera a prática uma honraria concedida ao país.

A origem da tradição está ligada aos primeiros anos da organização. Segundo publicação da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), a prática teria começado em 1949, em um contexto marcado pela disputa entre Estados Unidos e União Soviética. A escolha do Brasil teria funcionado como uma solução para evitar que uma das duas potências assumisse a primazia na abertura dos debates.

Papel de Oswaldo Aranha

A trajetória do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha também está relacionada à posição conquistada pelo Brasil dentro da ONU. Aranha presidiu a primeira sessão extraordinária da Assembleia Geral e a segunda sessão regular da organização, ambas em 1947.

Naquele período, o diplomata brasileiro teve participação importante nas discussões que marcaram os primeiros anos da ONU. A atuação contribuiu para consolidar a presença diplomática brasileira no organismo internacional.

O Brasil havia participado da criação da ONU e passou a buscar espaço como um país capaz de dialogar com diferentes grupos dentro do sistema multilateral.

Tradição virou espaço de projeção

A abertura do Debate Geral acabou adquirindo importância que vai além do protocolo. Por ser o primeiro país a discursar, o Brasil ganha uma das primeiras oportunidades de apresentar suas prioridades diante de uma audiência formada por líderes mundiais, diplomatas e imprensa internacional.

Ao longo da história, os discursos brasileiros passaram a abordar não apenas questões específicas da política externa, mas também temas amplos da agenda internacional, como desenvolvimento, combate à fome, meio ambiente, paz e fortalecimento das instituições multilaterais.

A Funag destaca que essa posição criou para a diplomacia brasileira a possibilidade de contribuir para a definição dos temas que ganham destaque no debate internacional.

Estados Unidos vêm logo depois

Depois do pronunciamento brasileiro, tradicionalmente é a vez dos Estados Unidos, país que abriga a sede da ONU em Nova York.

A ordem dos demais discursos considera diferentes fatores, como o nível da autoridade presente, distribuição geográfica e organização das inscrições. Cada Estado-membro tem direito a participar do Debate Geral e, em regra, os pronunciamentos seguem um limite de 15 minutos.

A sequência Brasil-Estados Unidos tornou-se uma das características mais conhecidas da abertura da Assembleia Geral.

Lula fará o discurso de 2026

Neste ano, o Debate Geral da 81ª sessão ocorrerá de 22 a 28 de setembro. O tema escolhido é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

Lula anunciou que viajará a Nova York e afirmou que pretende abordar, entre outros assuntos, a relação entre Brasil e Estados Unidos e as eleições brasileiras de 2026.

A tradição, portanto, coloca novamente o Brasil no início de uma das principais vitrines da diplomacia internacional, posição mantida pelo país há décadas e que se tornou uma marca da sua participação nas Nações Unidas.

Fonte: BBC Brasil.

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