
O avanço das apostas online no Brasil trouxe impactos financeiros e problemas de saúde para parte dos jogadores. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com as bets, segundo dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
O valor corresponde à diferença entre o dinheiro colocado nas plataformas e o que retornou aos apostadores em prêmios. No período analisado, as casas de apostas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões em transações realizadas por Pix.
Dependência e endividamento
Entre os afetados está Kaio, de 42 anos, que perdeu o carro, a casa e o emprego após acumular dívidas com jogos. Atualmente, ele vive sozinho no interior de Goiás e iniciou acompanhamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
Especialistas afirmam que pessoas em situação de vulnerabilidade estão entre as mais expostas ao risco de desenvolver dependência. A facilidade de acesso às plataformas e a publicidade que associa as apostas a ganhos rápidos são apontadas como fatores que contribuem para o problema.
Jovens também estão entre os apostadores
O avanço das apostas também alcançou adolescentes. Uma pesquisa realizada com 1.912 estudantes de 191 escolas apontou que 20,4% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio disseram ter feito apostas online no último ano.
O levantamento identificou ainda relatos de apostas entre estudantes de 11 anos. Profissionais de saúde alertam que adolescentes podem apresentar maior vulnerabilidade a comportamentos impulsivos devido ao processo de desenvolvimento cerebral.
Impactos na saúde mental
Profissionais que atendem pessoas com dependência em jogos relatam casos de ansiedade, isolamento, desesperança e pensamentos relacionados à morte. Os especialistas recomendam atenção a mudanças de comportamento e à procura por atendimento profissional.
O SUS ampliou os serviços de teleatendimento voltados a pessoas com problemas relacionados às apostas. Após a decisão do governo de proibir as plataformas, o Ministério da Saúde também anunciou ações para localizar apostadores com uso recorrente e oferecer acompanhamento quando necessário.
Regulamentação
As apostas esportivas foram autorizadas no Brasil em 2018, mas passaram a contar com regras específicas de funcionamento somente a partir de 2023.
Entre as medidas previstas na regulamentação estavam mecanismos de proteção ao apostador, publicidade com alertas sobre os riscos do jogo e restrições para pessoas identificadas com comportamento compulsivo.
O cenário mudou com a edição da Medida Provisória 1.394, que determinou a proibição das operações das bets no país e estabeleceu medidas relacionadas aos valores mantidos nas plataformas.
A experiência dos últimos anos, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, reforça a necessidade de ampliar o atendimento em saúde para pessoas que desenvolveram dependência e de fortalecer mecanismos de proteção aos usuários.
Fonte: Agência Brasil.
VEJA TAMBÉM
IA pode mudar gestão das filas do SUS, mas especialistas apontam limites
Tecnologia é citada por candidatos para organizar atendimentos
Bets estudam ampliar apostas para pontos físicos enquanto governo discute regras
Regulação dos terminais físicos está em análise pela Fazenda
Hospital do Dirceu realiza mutirão de laqueaduras neste sábado (26)
Procedimentos serão feitos em mulheres da fila do SUS









