
As exportações do Piauí para os Estados Unidos recuaram 45,6% após a adoção de tarifas comerciais pelo governo de Donald Trump. A redução representa uma perda de R$ 110,2 milhões em 12 meses, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) na segunda-feira (19).
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o estado exportou US$ 38,8 milhões em produtos para o mercado norte-americano. No período seguinte, de agosto de 2025 a julho de 2026, o valor caiu para US$ 21,1 milhões, uma diferença de US$ 17,7 milhões.
Mel está entre os produtos mais afetados
O mel aparece como o principal produto piauiense afetado pela queda nas vendas aos Estados Unidos. A retração preocupa especialmente pela importância da atividade para municípios do interior. O levantamento, porém, não informa o valor exato das perdas referentes exclusivamente à exportação do produto.
Dos 224 municípios do Piauí, apenas 13 registraram exportações para os Estados Unidos no período analisado. Entre essas cidades, 62% tiveram redução nos valores comercializados, enquanto 38% ampliaram as vendas para o mercado norte-americano.
O estudo estadual não detalha quais municípios sofreram as maiores perdas financeiras.
Tarifaço provocou perdas em mais de mil municípios
O impacto das medidas comerciais também foi registrado em outras regiões do Brasil. Conforme a CNM, 1.135 municípios brasileiros tiveram perdas nas exportações para os Estados Unidos, que somaram R$ 66,8 bilhões.
Desse grupo, 271 cidades deixaram de exportar para o mercado norte-americano. Antes das tarifas, esses municípios movimentavam R$ 588 milhões em vendas ao país. Outros 864 registraram queda média de 30% no valor exportado.
Além disso, 657 municípios afetados, o equivalente a 58% do total, também tiveram redução nas exportações gerais, sinalizando dificuldades para compensar as perdas com a abertura de novos mercados.
Vendas brasileiras aos EUA também recuaram
No cenário nacional, as exportações para os Estados Unidos caíram de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, uma redução de 16,2%. Em valores convertidos para reais, a retração chegou a R$ 55 bilhões.
A participação norte-americana no total das exportações brasileiras passou de 12,3% para 9,4%. Já o volume de produtos enviados ao país diminuiu 17,9%, com redução de aproximadamente 7,3 milhões de toneladas.
Entre os setores mais atingidos no Brasil estão petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e produtos da silvicultura. Os municípios de pequeno porte tiveram a maior queda proporcional nas exportações, de 22,9%.
CNM defende diversificação dos mercados
Para o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, os números reforçam a necessidade de diversificar os destinos das exportações brasileiras e reduzir a dependência de determinados compradores.
Segundo ele, barreiras comerciais, restrições sanitárias e tensões geopolíticas podem produzir efeitos prolongados sobre as economias locais. A entidade defende o fortalecimento do mercado interno e a busca por novos parceiros comerciais como estratégias para reduzir os impactos sobre a arrecadação e o emprego.
O levantamento foi elaborado com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A análise compara os 12 meses anteriores e posteriores ao início das sobretaxas americanas, em agosto de 2025.
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