por Redação
Foto: Acervo Pessoal

O fechamento da prestação de contas eleitorais exige atenção redobrada de candidatos e equipes financeiras. Despesas realizadas em benefício da campanha, mas que não aparecem nos registros apresentados à Justiça Eleitoral, podem comprometer a regularidade das contas e gerar consequências para os responsáveis.

O contador Guilherme Guimarães alerta que um dos principais cuidados nessa etapa é identificar gastos que possam ter ficado de fora da escrituração. Segundo ele, a análise não deve se limitar aos valores lançados no sistema, mas precisa verificar se todas as contratações e os serviços utilizados pela campanha foram devidamente declarados.

Desconhecimento da despesa não elimina os riscos

De acordo com Guilherme Guimarães, a omissão pode ocorrer tanto por falhas de comunicação entre o candidato e sua equipe quanto pela tentativa de ocultar uma operação. Em qualquer situação, é necessário esclarecer a origem do gasto, quem realizou a contratação e como o serviço foi utilizado.

O contador ressalta que alegar desconhecimento sobre determinada despesa não afasta automaticamente a responsabilidade perante a Justiça Eleitoral. Notas fiscais emitidas contra o CNPJ da campanha, contratos e declarações de fornecedores podem demonstrar que um serviço foi prestado, mesmo que o gasto não tenha sido registrado.

Quando identificadas, essas situações precisam ser analisadas e tratadas conforme as regras eleitorais.

Omissões podem levar à desaprovação das contas

Outro ponto de atenção é o pagamento de despesas com recursos que não transitaram pela conta bancária específica da campanha. Segundo o contador, gastos omitidos podem levantar questionamentos sobre a origem do dinheiro utilizado e resultar em consequências como a desaprovação das contas e, conforme o caso, o recolhimento de valores ao Tesouro Nacional.

Por isso, a conciliação bancária, embora indispensável, não deve ser a única etapa da revisão. Uma campanha pode apresentar extratos aparentemente corretos e ainda ter despesas pagas por terceiros ou serviços recebidos sem o devido registro.

Revisão precisa ir além dos lançamentos

Guilherme Guimarães recomenda que candidatos, administradores financeiros e contadores realizem uma auditoria de encerramento antes de transmitir a prestação de contas final.

A conferência deve incluir notas fiscais, contratos, ordens de serviço, comprovantes de entrega e documentos relacionados a despesas com pessoal, combustíveis, transporte, eventos, gráficas, publicidade e impulsionamento de conteúdo. Também é importante verificar compromissos assumidos e serviços efetivamente utilizados pela campanha.

Caso uma despesa não registrada seja identificada, a orientação é buscar a regularização pelos procedimentos permitidos pela legislação eleitoral, sem ignorar a operação ou tentar ajustar artificialmente os documentos.

Para o contador, o cuidado central é garantir que a prestação de contas reflita a realidade financeira da candidatura. A revisão, portanto, deve procurar não apenas inconsistências nos registros existentes, mas também gastos que possam ter ficado de fora da documentação apresentada à Justiça Eleitoral.

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