
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta quinta-feira (27), de uma entrevista à TV Globo e abordou temas que devem ocupar espaço central na disputa pela Presidência da República em 2026. Entre os assuntos discutidos estiveram as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, a situação dos Correios, segurança pública, dívida pública e propostas para um eventual novo mandato.
Logo no início da entrevista, conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula foi questionado sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo Lulinha. O presidente classificou as suspeitas como “ilações”, mas afirmou que o filho deverá responder caso seja comprovada qualquer irregularidade.
Segundo Lula, não haverá interferência do governo nas investigações. Ele afirmou que não pretende afastar delegados da Polícia Federal nem adotar medidas para beneficiar o filho.
“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.
Lulinha é investigado em três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações analisam, entre outros pontos, possíveis tentativas de influência em contratos envolvendo órgãos públicos e empresas.
O presidente também comentou as suspeitas relacionadas a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, seu ex-chefe de gabinete. Relatórios da PF apontam que a empresária Roberta Luchsinger teria arcado com R$ 249 mil em despesas atribuídas a ele.
Lula classificou a situação como inadequada, mas disse acreditar na versão de que os pagamentos fizeram parte de um empréstimo pessoal.
Correios não serão privatizados
Outro tema abordado foi a situação financeira dos Correios. A estatal acumula cerca de R$ 15 bilhões em prejuízos nos últimos quatro anos.
Lula reconheceu que a empresa precisa se adaptar às mudanças no mercado de entregas e afirmou que o governo pode buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras.
Apesar disso, descartou a possibilidade de privatização.
“Não considero vender os Correios”, afirmou o presidente.
Segurança pública
A segurança pública também esteve entre os principais assuntos da entrevista. Questionado sobre o avanço do crime organizado, Lula defendeu mudanças na divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios.
O presidente afirmou que, caso a PEC da Segurança Pública seja aprovada pelo Congresso, pretende criar um Ministério da Segurança Pública.
Segundo Lula, a medida permitiria estabelecer de forma mais clara as atribuições de cada esfera de governo no combate à criminalidade.
Ele também defendeu o fortalecimento da inteligência e citou a possibilidade de cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado.
Lula afirmou ainda que seu objetivo é recuperar áreas atualmente dominadas por grupos criminosos.
Presidente é questionado sobre dívida pública
A trajetória da dívida pública também foi discutida. A dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) aumentou cerca de 10 pontos percentuais durante o atual mandato e se aproxima de 82% do PIB.
Questionado sobre o cenário fiscal, Lula atribuiu parte do crescimento da dívida aos juros elevados e afirmou que o país voltou a apresentar crescimento econômico durante seu governo.
O presidente também citou os resultados fiscais obtidos em seus dois primeiros mandatos e afirmou que espera registrar superávit primário de 0,1% neste ano.
Questionado sobre como pretende realizar ajustes nas despesas obrigatórias, porém, não apresentou uma medida específica durante a entrevista.
Caso Banco Master
Lula também foi questionado sobre as menções ao senador Jaques Wagner (PT-BA) em investigações relacionadas ao Banco Master.
O presidente afirmou confiar na honestidade do senador e disse que, até o momento, não há comprovação de envolvimento de Wagner com irregularidades relacionadas ao caso.
Lula declarou ainda que qualquer pessoa deverá responder caso sejam comprovados desvios, mas defendeu que as acusações sejam acompanhadas de provas.
Lula busca quarto mandato
Aos 80 anos, Lula disputa novamente a Presidência da República e busca um quarto mandato. O petista já governou o país entre 2003 e 2010 e retornou ao cargo em 2023, após vencer Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022.
Na atual disputa, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno. Segundo o agregador da BBC News Brasil, considerando levantamentos divulgados até esta quinta-feira (27), o presidente aparece com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 34%.
Ronaldo Caiado aparece com 4%, empatado com Renan Santos, enquanto Pablo Marçal registra 3%.
A entrevista ocorre em um momento de intensificação da pré-campanha presidencial e colocou em discussão alguns dos principais temas que devem influenciar o eleitorado até as eleições de outubro.
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