
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira (1º), a atuação dos Estados Unidos e de Israel no conflito contra o Irã, classificando a guerra como “desnecessária” e baseada em uma justificativa “mentirosa”.
Durante entrevista concedida em Fortaleza, o presidente afirmou que a alegação de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares não se sustenta.
“Os Estados Unidos se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que lá tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer. É mentira”, declarou.
Lula mencionou ainda uma viagem oficial realizada em 2010, durante seu segundo mandato, quando participou de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, houve um acordo para permitir o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, semelhante ao modelo adotado pelo Brasil, mas que não teve apoio internacional.
“Fizemos um acordo que depois não foi aceito pelos Estados Unidos nem pela União Europeia. Era para uso pacífico, como prevê a Constituição brasileira”, afirmou.
O presidente também disse que o conflito poderia ter sido evitado por vias diplomáticas. Ele destacou a dimensão do país e a complexidade da situação. “Se há divergência política, não precisava virar guerra. O Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar”, acrescentou.
Impactos no preço dos combustíveis
Lula voltou a demonstrar preocupação com os reflexos do conflito no mercado internacional de petróleo e, consequentemente, nos preços dos combustíveis no Brasil, especialmente o diesel.
Segundo o presidente, o governo federal está monitorando possíveis aumentos abusivos. A fiscalização envolve a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor nos estados.
“Nós estamos fiscalizando e, se for necessário, alguém vai ser responsabilizado. A ordem é acompanhar estrada e postos de combustíveis”, afirmou.
O presidente também criticou a diferença entre a redução de preços nas refinarias e o valor cobrado ao consumidor final. Ele citou a privatização da BR Distribuidora como um fator que dificultou o controle direto sobre os preços nos postos.
Proposta de subsídio ao diesel
O governo federal estuda a edição de uma medida provisória para subsidiar o diesel importado. A proposta prevê um desconto de R$ 1,20 por litro, com custo total estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, dividido entre União e estados.
A iniciativa foi confirmada pelo ministro Dario Durigan, que informou que a equipe econômica busca a adesão dos estados antes da publicação da medida. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 80% das unidades da federação já sinalizaram apoio à proposta.
O objetivo é conter a alta dos combustíveis e evitar riscos de desabastecimento, diante da defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.
Um mês de conflito
Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem previsão de acordo para encerrar o conflito. Entre as vítimas estão autoridades iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.
A guerra também provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Com isso, o preço do barril registrou alta aproximada de 50%, ampliando preocupações econômicas e ambientais em escala global.
Fonte: Agência Brasil.
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