por Redação
Foto: Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou, nesta sexta-feira (6), relatório crítico à Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. A ação resultou em 122 mortes na região da Penha, zona norte da capital, e, segundo o órgão, não trouxe impacto efetivo na redução do crime organizado.

De acordo com o documento, a operação intensificou o sofrimento das comunidades, ampliou a desconfiança institucional e reforçou um padrão de enfrentamento baseado em ações letais e militarização de territórios. Para a comissão, esse modelo não enfraquece estruturalmente as redes criminosas, que tendem a se reorganizar.

Visita e apuração

Integrantes da CIDH estiveram no Rio nos primeiros dias de dezembro de 2025, quando se reuniram com autoridades públicas, organizações da sociedade civil, especialistas e familiares das vítimas. O relatório também considerou dados oficiais e registros jornalísticos.

O órgão identificou fragilidades nas investigações, como falhas na preservação de cenas, questionamentos sobre a autonomia pericial, problemas na cadeia de custódia e elevado número de arquivamentos.

Recomendações ao Estado

A comissão defende revisão profunda da política de segurança pública, com prioridade para ações de prevenção e inclusão social. Entre as recomendações estão:

Adequação dos protocolos policiais às normas internacionais de direitos humanos;
Reforço do controle externo da atividade policial pelo Ministério Público;
Garantia de autonomia técnica dos órgãos periciais;
Investigações independentes sobre as mortes;
Reparação integral às vítimas e familiares.
A CIDH também recomenda maior investimento em inteligência, rastreabilidade de armas e monitoramento de fluxos financeiros ligados ao crime.

Dados oficiais

O governo do Rio informou que a operação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão. Foram registradas 113 prisões, apreensão de 118 armas e aproximadamente uma tonelada de drogas. A gestão estadual classificou a ação como bem-sucedida.

Entidades e moradores da região, no entanto, denunciam execuções e caracterizam a ação como chacina. A comissão conclui que políticas públicas integradas e baseadas em direitos são essenciais para enfrentar a violência de forma sustentável.

Fonte: Agência Brasil.

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