
A sensação de que os relacionamentos estão mais frágeis tem sido cada vez mais comum nos consultórios de psicologia. Segundo a psicóloga Sileli Santiago, muitos casais que buscam atendimento relatam que ainda existe amor, mas falta entendimento.
“O que distancia, muitas vezes, não é a ausência de sentimento. É o desgaste emocional, a sobrecarga e a falha na comunicação, que acabam criando uma ilha entre o casal”, afirma.
De acordo com a profissional, três fatores têm sido recorrentes nos conflitos atuais: expectativas irreais sobre o relacionamento, excesso de estímulos — principalmente das redes sociais — e dificuldade em manter um diálogo com base emocional.
Estudos recentes na área da psicologia e da sociologia apontam que o uso intenso de redes sociais pode aumentar comparações, inseguranças e idealizações sobre a vida a dois. A exposição constante a padrões de relacionamento “perfeitos” contribui para frustrações quando a realidade não corresponde às expectativas.
Além disso, a comunicação tem se tornado mais funcional do que afetiva. “Muitos casais conversam apenas para resolver tarefas do dia a dia. Falam sobre contas, filhos, compromissos. Mas deixam de falar sobre sentimentos, medos, expectativas”, explica Sileli.
Pesquisas internacionais sobre saúde relacional indicam que a qualidade do diálogo — especialmente a capacidade de expressar vulnerabilidades e ouvir com empatia — está entre os principais fatores de proteção contra separações. A ausência desse espaço emocional pode gerar distanciamento progressivo.
Outro ponto destacado pela psicóloga é a sobrecarga emocional da rotina contemporânea. Pressões profissionais, demandas familiares e excesso de informações contribuem para o esgotamento, afetando a disponibilidade emocional dentro da relação.
Para a especialista, relacionamentos saudáveis exigem construção consciente. “Não se mantêm sozinhos. É preciso investir em tempo de qualidade, escuta ativa e alinhamento de expectativas”, pontua.
Especialistas também recomendam práticas simples, como estabelecer momentos sem uso de celular, criar espaços semanais de conversa sobre a relação e buscar apoio profissional quando os conflitos se tornam recorrentes.
Em um cenário marcado por conexões rápidas e estímulos constantes, sustentar vínculos profundos exige intencionalidade, maturidade emocional e disposição para o diálogo contínuo.
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