
A expansão de data centers, estruturas responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de dados, passou a integrar as propostas de diferentes candidatos à Presidência em 2026. A discussão ganhou espaço com o avanço da inteligência artificial e a necessidade de ampliar a capacidade computacional do país.
Os planos apresentam diferenças sobre a participação do Estado, incentivos fiscais, atração de empresas estrangeiras, desenvolvimento tecnológico e exigências ambientais.
O que dizem os programas
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido investimentos em infraestrutura computacional e inteligência artificial. O governo também lançou projetos de computação de alto desempenho e, em setembro, foi sancionada a Lei 15.504/2026, que criou o Redata, regime que concede incentivos fiscais para a instalação de data centers voltados, entre outras áreas, à computação em nuvem e à IA.
Ronaldo Caiado (PSD) prevê incentivos tributários vinculados a exigências ambientais e tecnológicas. Flávio Bolsonaro (PL) defende transformar o Brasil em polo de data centers, enquanto Romeu Zema (Novo) propõe aproveitar a oferta de energia renovável para atrair investimentos no setor.
Renan Santos (Missão) inclui a criação de incentivos e zonas econômicas especiais voltadas à inteligência artificial. Augusto Cury (Avante), por sua vez, trata de IA, computação em nuvem e robótica, mas não apresenta uma proposta específica para a construção de data centers.
Energia e água
A expansão do setor também envolve questões relacionadas ao consumo de energia e água. A legislação do Redata estabelece contrapartidas para as empresas beneficiadas, incluindo o uso de fontes limpas ou renováveis, critérios de eficiência hídrica e investimentos no país.
O texto aprovado prevê ainda que as empresas participantes direcionem ao mercado interno pelo menos 10% da capacidade instalada de processamento, armazenamento e tratamento de dados.
Debate sobre soberania digital
Especialistas ouvidos sobre o tema apontam que aumentar o número de data centers não significa, por si só, ampliar a autonomia tecnológica brasileira. Para isso, também entram em discussão pesquisa, formação de profissionais, desenvolvimento de empresas nacionais e capacidade de controlar dados e infraestrutura estratégica.
O Brasil já possui pelo menos 160 data centers, segundo dados apresentados pelo Senado. A maior parte está concentrada na Região Sudeste.
Com o crescimento da inteligência artificial, o debate para os próximos anos envolve não apenas quantos centros serão construídos, mas também quais empresas serão atraídas, quais contrapartidas serão exigidas e como o país vai lidar com os impactos sobre energia, água e infraestrutura.
Fonte: BBC Brasil.
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