Eleições 2026

Campanha de Lula chega à metade sob pressão e busca novas estratégias para 2026

por Redação
Alexandre Meneghini/Reuters

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição chega à metade do período eleitoral com o cenário mais apertado do que o planejado pelo núcleo petista. No segundo turno, o presidente e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem numericamente empatados, com 44% das intenções de voto cada um, segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil. No início da campanha, Lula tinha 45%, contra 43% do senador.

A expectativa do governo era utilizar os primeiros meses da disputa para ampliar a aprovação da gestão e apresentar medidas com impacto direto no eleitorado. Entre as iniciativas estão a redução do Imposto de Renda para a classe média, linhas de crédito para entregadores, programas de renegociação de dívidas e ações sociais como o Gás do Povo e o Luz do Povo. O fim da escala 6×1 também passou a ser tratado como uma das principais vitrines eleitorais do governo.

O ambiente político, porém, foi atravessado pela crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao Banco Master. O conflito entre Alexandre de Moraes e André Mendonça levou o presidente da Corte, Edson Fachin, a intervir publicamente. Para integrantes da campanha ouvidos pela reportagem, o episódio pode alimentar um sentimento de rejeição ao sistema político e atingir Lula, especialmente pela percepção de proximidade entre o presidente e Moraes.

Governo tenta preservar agenda positiva

Lula se manifestou sobre a crise e defendeu que as investigações avancem sem interferências. O presidente afirmou que o país precisa de instituições capazes de garantir confiança no processo e criticou a divulgação seletiva de informações. Ao mesmo tempo, Fachin defendeu mudanças no funcionamento do Supremo e afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição.

A crise também pode reduzir o espaço político para temas que interessam ao Planalto. A PEC que prevê o fim da escala 6×1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, após meses de paralisação, mas ainda precisa ser votada em dois turnos pelo plenário. A articulação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi fundamental para destravar a proposta e outras medidas de interesse do governo.

Apesar das iniciativas, a avaliação da administração federal permanece relativamente estável. Segundo o Datafolha, a aprovação passou de 45% em fevereiro para 47%, enquanto 50% dos entrevistados desaprovam o governo. No primeiro turno, Lula aparece atualmente com 38%, contra 39% registrados em janeiro. No segundo turno, os números também sofreram pouca alteração.

Sudeste vira prioridade

Diante do equilíbrio na disputa, a campanha pretende ampliar a presença de Lula no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os três estados concentram mais de 40% do eleitorado brasileiro e são considerados estratégicos para a formação de maioria no segundo turno.

Em São Paulo, pesquisas recentes apontam vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula entre os eleitores do estado. Por isso, o PT deve intensificar atos e agendas na região. Neste sábado (5), Lula participa de uma atividade em São José do Rio Preto ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do candidato petista ao governo paulista, Fernando Haddad.

Outro ponto de atenção para o Planalto é a repercussão das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura possíveis relações com uma lobista e eventual influência sobre empresas interessadas em contratos com o governo. Lula afirma que não pretende interferir nas investigações e diz que, caso o filho tenha cometido algum ilícito, deverá responder pelos atos.

Para a cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o eleitorado está fortemente dividido e apresenta pouca disposição para mudar de lado. Na avaliação dela, tanto Lula quanto Flávio contam com parcelas consolidadas de eleitores, o que reduz o impacto de denúncias e ataques tradicionais de campanha.

A especialista avalia que a disputa poderá ganhar novos contornos a partir de setembro, quando as campanhas locais estiverem mais definidas e o eleitorado começar a acompanhar de forma mais efetiva a eleição. Até lá, Lula terá de transformar medidas do governo em argumentos eleitorais capazes de ultrapassar a polarização e alcançar eleitores ainda indecisos ou distantes da disputa.

Fonte: BBC Brasil.

Trabalho por aplicativos reúne quase 2 milhões de pessoas no Brasil, aponta IBGE
Brasil
FEFC nas Eleições 2026 exige atenção redobrada na aplicação de recursos
Eleições 2026
MAIS NOTÍCIAS
Entenda a crise no STF em 10 pontos e como o caso Banco Master chegou ao centro da política
Manutenção pode afetar abastecimento de água em 143 bairros de Teresina neste fim de semana
Crise entre Moraes e Mendonça amplia tensão no STF e provoca reações políticas