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Polilaminina ainda passa por testes antes de possível uso contra lesões na medula

por Redação
Foto: Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

A substância polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com a farmacêutica Cristália, tem despertado expectativa na comunidade científica por seu potencial no tratamento de lesões medulares. Apesar dos resultados iniciais animadores, especialistas destacam que ainda são necessárias várias etapas de testes para confirmar sua segurança e eficácia.

A pesquisa é coordenada pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho e começou há mais de duas décadas. Durante grande parte desse período, os estudos ficaram concentrados na fase pré-clínica, quando a substância é analisada em laboratório e testada em células e animais antes de avançar para experimentos em humanos.

Como a substância pode atuar

A polilaminina surgiu durante experimentos com a laminina, uma proteína presente em diversas estruturas do organismo. Em vez de se separar, as moléculas passaram a se unir, formando uma rede. Essa estrutura pode funcionar como suporte para o crescimento dos axônios, prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais nervosos.

Quando ocorre uma lesão na medula espinhal, esses axônios são rompidos, interrompendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo e provocando paralisia. A hipótese dos cientistas é que a polilaminina ajude a reconstruir esse caminho, permitindo que os sinais voltem a ser transmitidos.

Estudo inicial com pacientes

Entre 2016 e 2021, um estudo piloto foi realizado com oito pacientes que apresentavam lesão medular completa após acidentes ou ferimentos graves. Além da aplicação da substância, sete participantes passaram por cirurgia de descompressão da coluna.

Três pacientes morreram em decorrência da gravidade das lesões, mas os cinco que completaram o tratamento apresentaram algum nível de recuperação motora. Quatro evoluíram do nível A para o nível C na escala neurológica AIS, que mede sensibilidade e movimento, enquanto um paciente alcançou o nível D, com recuperação quase total das funções motoras.

Apesar desses resultados, os pesquisadores ressaltam que a melhora não pode ser atribuída exclusivamente à polilaminina, já que parte dos pacientes com lesão medular pode apresentar recuperação espontânea.

Próxima etapa da pesquisa

A fase 1 dos ensaios clínicos deve começar ainda neste mês, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O estudo será realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e contará inicialmente com cinco voluntários com lesões medulares recentes.

Nessa etapa, o objetivo principal é avaliar a segurança da substância e identificar possíveis efeitos adversos. Também serão analisados exames neurológicos e laboratoriais para verificar sinais iniciais de eficácia.

Caminho até um possível tratamento

O desenvolvimento de novos medicamentos costuma passar por três fases principais de ensaios clínicos. A primeira avalia a segurança do produto, a segunda analisa doses e efeitos terapêuticos e a terceira envolve um número maior de pacientes para confirmar os resultados.

Especialistas destacam que o cumprimento dessas etapas é essencial para garantir que novas tecnologias sejam seguras e eficazes. Caso os estudos confirmem o potencial da polilaminina, a descoberta pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões medulares e na qualidade de vida de pacientes afetados por paralisia.

Fonte: Agência Brasil.

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