
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info revelou que 37,1% das estudantes brasileiras faltam às aulas por causa de sintomas menstruais, principalmente cólicas intensas. O estudo ouviu alunos, professores e gestores das redes pública e privada em todas as regiões do país.
Segundo o levantamento, seis em cada dez meninas afirmaram sentir dores moderadas ou fortes durante o período menstrual, situação que interfere diretamente na rotina escolar e, em muitos casos, exige uso de medicamentos.
Além das cólicas, as estudantes relataram sintomas como dores de cabeça, cansaço, dores no corpo, desconforto abdominal e medo de vazamentos. A falta de absorventes e de estrutura adequada nas escolas também aparece entre os fatores que contribuem para as ausências.
A pesquisa identificou ainda diferenças raciais no impacto da menstruação. Meninas negras faltam mais às aulas do que meninas brancas por questões relacionadas ao ciclo menstrual. Especialistas apontam que muitas adolescentes negras tendem a naturalizar a dor e procuram menos ajuda médica ou apoio escolar.
Outro ponto destacado pelo estudo é a desigualdade regional. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a ausência escolar relacionada à falta de produtos de higiene e infraestrutura adequada foi mais frequente.
O levantamento também mostra aumento nos casos de menarca precoce, quando a primeira menstruação ocorre até os 10 anos de idade. O índice foi mais elevado no Nordeste e no Sul do país. Segundo os pesquisadores, meninas que menstruam mais cedo costumam apresentar dores mais intensas.
Especialistas defendem que o debate sobre saúde menstrual seja ampliado dentro das escolas, com ações educativas, acolhimento e políticas voltadas à permanência escolar das estudantes. O estudo alerta ainda que a naturalização das dores menstruais pode atrasar diagnósticos de doenças como a Endometriose.
Fonte: Agência Brasil.
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