
A educação está entre os temas abordados nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições marcado para 25 de outubro. Embora ambos apresentem propostas para ampliar o acesso ao ensino e preparar os jovens para o mercado de trabalho, as estratégias e prioridades são distintas.
Lula defende a educação como instrumento de transformação social, com investimentos na educação integral, na formação de professores e na ampliação da infraestrutura escolar. Flávio, por sua vez, destaca o fortalecimento da participação das famílias, a expansão das escolas cívico-militares e a aproximação entre a formação educacional e as demandas do mercado de trabalho.
Educação infantil e alfabetização
Na educação infantil, Lula propõe dar continuidade à construção de creches e pré-escolas por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de ampliar o apoio financeiro a estados e municípios. O candidato também estabelece como meta alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada até 2030.
Flávio defende a ampliação das vagas em creches de período integral, com alimentação de qualidade e atenção ao desenvolvimento infantil. Caso não haja vagas na rede pública, o plano prevê a criação de um voucher-creche para custear matrículas em instituições privadas credenciadas. Na alfabetização, o candidato propõe priorizar o método fônico, baseado na associação entre sons e letras.
Financiamento e aprendizagem
Os candidatos também apresentam propostas diferentes para o financiamento da educação pública. Flávio propõe condicionar parte dos repasses orçamentários a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem.
Lula, por sua vez, defende a continuidade da política de reajuste do Piso Nacional do Magistério e a implementação de uma estratégia permanente de recomposição e aceleração da aprendizagem, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Entre as iniciativas de Flávio está o Programa Acolher, que prevê a participação de estudantes com bom desempenho no reforço escolar de colegas com dificuldades, mediante remuneração.
Escolas cívico-militares e participação das famílias
A expansão das escolas cívico-militares é uma das principais propostas de Flávio Bolsonaro para a educação básica. O candidato também defende um modelo de ensino voltado à aprendizagem, sem o que classifica como doutrinação político-partidária, e com valorização dos princípios familiares.
O plano de Flávio inclui ainda ações para estudantes com altas habilidades e a oferta de atividades esportivas, artísticas e culturais durante as férias escolares.
Lula prioriza a ampliação da educação em tempo integral, com jornadas de pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais. A proposta busca aumentar o número de matrículas nessa modalidade e ampliar as oportunidades de aprendizagem ao longo da educação básica.
Professores e ensino técnico
Na formação docente, Lula propõe fortalecer programas de incentivo à carreira, como o Pé-de-Meia Licenciatura e o Bolsa Mais Professores, voltados à formação, à atração e à permanência de profissionais nas redes públicas.
Flávio defende a formação continuada de professores com base em evidências científicas, embora o plano não detalhe as medidas previstas.
Para o ensino técnico, os dois candidatos apontam a necessidade de ampliar oportunidades de qualificação. Flávio propõe parcerias com indústrias e empresas para financiar cursos e aproximar a formação das necessidades do mercado de trabalho.
Lula pretende expandir a rede de Institutos Federais, priorizando municípios com baixa oferta de cursos técnicos, periferias urbanas e regiões com menor acesso à educação profissional.
Conectividade e ensino superior
A inclusão digital também aparece nos dois planos. Flávio propõe levar computadores, tablets, internet e atividades de robótica às escolas, além de preparar os estudantes para o uso de novas tecnologias, incluindo inteligência artificial.
Lula pretende universalizar a conectividade das escolas brasileiras, com internet de qualidade e investimentos vinculados ao Novo PAC.
No ensino superior, Flávio propõe transferir a gestão da área do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aproximando universidades e pesquisa científica. Também defende mudanças no financiamento estudantil, com pagamentos vinculados à renda dos profissionais após a entrada no mercado de trabalho.
Lula propõe manter investimentos na infraestrutura das universidades federais, ampliar oportunidades de acesso e concluir a implantação de novas instituições. O plano também prevê a expansão de hospitais universitários e o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação.
Histórico das políticas educacionais
Entre as principais iniciativas do atual governo Lula está o Pé-de-Meia, criado em 2024 para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio público por meio de pagamentos aos estudantes elegíveis. O candidato também sinalizou a intenção de ampliar o programa para o ensino superior, caso seja reeleito.
No governo Jair Bolsonaro (2019–2022), uma das principais iniciativas para a educação foi o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, retomado como proposta por Flávio. O modelo previa a participação de militares na gestão administrativa e disciplinar das unidades, enquanto as secretarias de educação permaneciam responsáveis pela área pedagógica.
Os planos apresentados pelos candidatos indicam diferentes caminhos para a educação brasileira, com propostas que envolvem desde a primeira infância até a universidade, passando pela valorização dos professores, pela infraestrutura escolar e pela preparação dos estudantes para o futuro profissional.
Fonte: Agência Brasil.
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