
Distribuidoras e postos de combustíveis ampliaram suas margens de lucro nas últimas semanas, mesmo após medidas do governo federal para conter a alta do diesel e da gasolina. O movimento ocorre em meio à valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.
Dados do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) mostram que, desde o início do conflito envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro, houve aumento significativo nas margens de lucro — parcela do preço final que fica com distribuidoras e revendedores.
O diesel S-500 apresentou a maior alta, com aumento de 71,6% nas margens. Já o diesel S-10 teve crescimento de 45%, enquanto a gasolina comum registrou elevação de 32,2%.
Os números não se referem ao preço total pago pelo consumidor, mas sim ao ganho das empresas na comercialização dos combustíveis. O levantamento utiliza dados do Ministério de Minas e Energia (MME), com base em informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Esalq/USP.
Alta já vinha desde 2021
Segundo o estudo, o aumento das margens não é recente e vem sendo observado desde 2021. No período, o diesel S-500 acumulou alta de 238,8%, o diesel S-10 subiu 111,8% e a gasolina teve crescimento de 90,7% nas margens.
Especialistas apontam que a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada pela Petrobras nos anos anteriores, contribuiu para a volatilidade dos preços e abriu espaço para o aumento das margens ao longo do tempo.
Outro fator citado é a privatização de empresas como a BR Distribuidora e a Liquigás, que, segundo análise do Ibeps, reduziu a capacidade de regulação indireta sobre os preços praticados no mercado.
Fiscalização e impacto
Diante da alta recente, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros órgãos federais intensificaram o monitoramento da formação de preços para identificar possíveis práticas abusivas no setor.
Mesmo com medidas como isenção de tributos federais, subvenções ao diesel e aumento do imposto sobre exportação de petróleo, o repasse ao consumidor final tem sido acompanhado com cautela pelo governo.
A valorização do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril, está diretamente ligada ao conflito no Oriente Médio, região estratégica para a produção e o transporte global de energia. O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Com a redução da oferta global, os preços sobem e impactam diretamente o custo dos combustíveis no Brasil. Levantamento recente da ANP indica que o preço médio do diesel nos postos subiu cerca de 20% em aproximadamente 15 dias.
Efeitos na economia
O aumento do diesel tem impacto direto na cadeia produtiva, especialmente no transporte de cargas, elevando custos logísticos e pressionando preços de alimentos e produtos industriais.
O agronegócio também é afetado, tanto pelo custo do combustível quanto pelo encarecimento de fertilizantes — principal item importado do Irã pelo Brasil. Na área de energia, o cenário pode pressionar o uso de termelétricas, que dependem de combustíveis fósseis e tendem a elevar o custo da geração elétrica.
Especialistas avaliam que, caso o conflito se prolongue, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços e necessidade de novas medidas para mitigar os impactos na economia.
Fonte: G1.
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