
Pesquisadores e ativistas alertam para a expansão, na internet, de comunidades que promovem discursos misóginos e defendem hierarquias de gênero. Esses grupos atuam principalmente em fóruns, redes sociais e aplicativos de mensagens, utilizando termos e códigos próprios para difundir ideias que desvalorizam mulheres e incentivam comportamentos discriminatórios.
Especialistas classificam essas práticas como manifestações de Misoginia — fenômeno que envolve a defesa de privilégios históricos masculinos nas esferas social, política e cultural. Em muitos casos, esse tipo de discurso pode estimular episódios de violência de gênero.
Comunidades e movimentos
Entre os grupos mais conhecidos está a chamada “machosfera”, termo usado para descrever uma rede de fóruns, canais e perfis que propagam ideias de masculinidade tradicional e oposição ao feminismo.
Outro grupo são os incels (involuntary celibates), homens que afirmam não conseguir relacionamentos afetivos ou sexuais e atribuem essa situação às mulheres ou a padrões sociais.
Já o termo redpill ganhou popularidade inspirado no filme The Matrix. Nessas comunidades, a expressão é usada para indicar que o homem teria “despertado” para uma suposta realidade em que mulheres manipulam e exploram homens.
Também existem grupos como MGTOW (Men Going Their Own Way), que defendem o afastamento total de relações com mulheres, e os chamados Pick Up Artists (PUA), que difundem técnicas de sedução baseadas em manipulação psicológica.
Hierarquias e rótulos
Dentro dessas comunidades, são comuns classificações que criam uma hierarquia social entre homens e mulheres. Termos como “alfa” e “beta” definem, respectivamente, homens dominantes e homens considerados submissos.
Outras expressões incluem “Chad”, usado para descrever homens considerados altamente atraentes, e “Stacy”, equivalente feminino associado a mulheres vistas como padrão de beleza.
Também aparecem conceitos como “blackpill”, que defende que o destino social de um homem seria determinado apenas pela genética, e “bluepill”, utilizado de forma pejorativa para homens que defendem igualdade de gênero ou relacionamentos baseados em respeito.
Linguagem ofensiva e teorias
Esses grupos também utilizam gírias e teorias pseudocientíficas para justificar suas ideias. Um exemplo é a teoria “80/20”, que afirma que a maioria das mulheres se interessaria apenas por uma pequena parcela de homens considerados mais atraentes ou ricos.
Outros termos ofensivos incluem “femoids”, expressão usada para desumanizar mulheres, e “AWALT” (All Women Are Like That), sigla que generaliza comportamentos femininos de forma estereotipada.
Especialistas apontam que compreender essas expressões ajuda a identificar discursos de ódio na internet e reforça a importância de políticas de prevenção, educação digital e combate à violência de gênero.
Fonte: Agência Brasil.
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