
O governo da Argentina informou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou no país na noite de terça-feira (27) acompanhado da família e, pouco depois, embarcou em um voo particular com destino a Guayaquil, no Equador. A informação foi divulgada pela Direção Nacional de Migrações argentina nesta quarta-feira (28).
Segundo as autoridades, a entrada ocorreu às 22h50, mediante apresentação de documentos válidos e sem impedimentos migratórios. O voo partiu às 23h30, conforme o plano registrado.
A movimentação ocorre após a derrota de Flávio na eleição presidencial e em meio a uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF).
Saída ocorre após ordem de apreensão de passaportes
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador e proibiu sua saída do Brasil. O prazo para entrega dos documentos terminou na terça-feira.
A Polícia Federal chegou a acionar autoridades argentinas para verificar informações sobre a possível passagem de Flávio por Puerto Iguazú, na região de fronteira. Inicialmente, não havia registro oficial de entrada do senador no país.
O caso está relacionado a um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. As investigações também alcançam possíveis irregularidades ligadas a plataformas de pagamento digital e ao setor de apostas no Rio de Janeiro.
Especialistas dizem que senador não é considerado foragido
Apesar do possível descumprimento da ordem judicial, criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que Flávio não pode ser classificado como foragido sem uma ordem de prisão contra ele.
Segundo os especialistas, a saída do país pode caracterizar descumprimento de medida cautelar e abrir caminho para novas providências judiciais. A situação, porém, é diferente daquela de uma pessoa com prisão decretada que evita se apresentar às autoridades.
Investigações podem continuar no STF
A viagem ao exterior não impede o andamento das apurações. Conforme especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, investigações relacionadas a supostos crimes cometidos durante o mandato e vinculados ao exercício da função parlamentar podem permanecer no STF, mesmo após o fim do foro privilegiado.
Flávio afirmou anteriormente que não pretendia deixar o país. Após a derrota eleitoral, também questionou a decisão judicial que ampliou o horário de votação e anunciou medidas para contestar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até o momento, as informações divulgadas pelas autoridades argentinas confirmam a entrada de Flávio no país e sua saída em direção ao Equador, mas não esclarecem se o destino final do senador será os Estados Unidos ou se ele pretende estabelecer residência no exterior.
Fonte: BBC Brasil.
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