
A disputa por influência entre Estados Unidos e China deve ampliar a pressão sobre o cenário político brasileiro durante as eleições deste ano. A avaliação é da professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, especialista em política latino-americana.
Em entrevista à BBC News Brasil, a pesquisadora afirma que o governo do presidente norte-americano Donald Trump tende a intensificar ações que podem impactar o ambiente político e econômico do Brasil, principalmente por considerar o país estratégico na disputa geopolítica com a China.
Segundo Bressan, o fortalecimento de governos de direita em países da América Latina também faz parte de um movimento observado nos últimos anos, impulsionado por fatores como a descrença na política tradicional, o crescimento das redes sociais e a busca do eleitorado por respostas rápidas para problemas como violência e insegurança.
Para a especialista, embora diversos governos da região tenham alinhamento ideológico com Washington, isso não significa uma relação automática de apoio. Ela cita como exemplo o Panamá, que, mesmo governado por um presidente de direita, continua enfrentando pressões dos Estados Unidos em temas estratégicos, como o Canal do Panamá.
Ao analisar o cenário brasileiro, Bressan afirma que o país deve enfrentar pressões em temas econômicos e tecnológicos, como tarifas comerciais, regulamentação das plataformas digitais, sistema de pagamentos Pix e ações relacionadas ao combate ao crime organizado.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que não se refere necessariamente a uma interferência direta nas eleições, mas a um ambiente de pressão política, econômica e diplomática capaz de influenciar o debate público durante o processo eleitoral.
Apesar desse contexto, ela avalia que a política externa brasileira tende a manter uma postura pragmática, buscando preservar relações comerciais e diplomáticas com diferentes parceiros internacionais, independentemente do resultado das eleições.
Na avaliação da especialista, o avanço da presença chinesa na América Latina e a tentativa dos Estados Unidos de recuperar influência na região devem continuar sendo fatores centrais nas relações internacionais e no cenário político latino-americano nos próximos anos.
Fonte: BBC Brasil.
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