
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os representantes do Congresso nas chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O resultado será decisivo para determinar o espaço político do presidente Donald Trump nos próximos anos de governo.
A votação ocorre a cada dois anos, no intervalo entre as eleições presidenciais. Neste pleito, serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Também haverá disputas para cargos estaduais, incluindo governos de estados como Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan.
Atualmente, o Partido Republicano, de Trump, controla as duas casas legislativas, mas trabalha com uma margem pequena de vantagem. Uma eventual vitória democrata em qualquer uma delas pode alterar a relação entre o Executivo e o Congresso.
Economia e imigração dominam o debate
Entre os principais assuntos da campanha estão o custo de vida, a inflação, os preços dos combustíveis, dos alimentos e da moradia. Os democratas atribuem parte da alta dos preços às tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump.
A política migratória também ocupa espaço central na disputa. Republicanos defendem as medidas de reforço da segurança nas fronteiras e de combate à imigração ilegal. Já as ações do governo nessa área são alvo de críticas e controvérsias.
Outro tema em discussão é a regulamentação da inteligência artificial. Integrantes dos dois partidos demonstram preocupação com o avanço da tecnologia, enquanto Trump se posiciona contra propostas de controle por meio de novas leis.
O que muda se os democratas vencerem?
A conquista da Câmara ou do Senado pelos democratas pode limitar a capacidade de Trump de aprovar projetos e avançar com sua agenda legislativa. O presidente já declarou que poderá vetar propostas da oposição e negociar acordos posteriormente.
Além das votações, o controle de uma das casas permitiria aos democratas ampliar a fiscalização sobre o governo. Comissões parlamentares poderiam convocar autoridades, solicitar documentos e investigar temas relacionados à administração federal.
Entre os assuntos que podem entrar na mira estão denúncias de corrupção, as estratégias do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e decisões envolvendo a Casa Branca. Também há integrantes do Partido Democrata que defendem discutir um eventual processo de impeachment.
Caso os republicanos mantenham a maioria nas duas casas, Trump terá mais facilidade para aprovar propostas e dar continuidade aos seus planos até o fim do mandato, previsto para janeiro de 2029.
Resultado também será um termômetro para 2028
As midterms são tradicionalmente interpretadas como uma avaliação do desempenho do partido que ocupa a Presidência. Por isso, o resultado poderá indicar o nível de apoio dos americanos à gestão Trump antes da próxima eleição presidencial.
Pesquisas recentes apontam queda na aprovação do presidente e avanço dos democratas em algumas disputas. Ainda assim, o cenário permanece incerto, especialmente diante do histórico de levantamentos que não conseguiram dimensionar corretamente o apoio eleitoral a Trump.
A votação também deve influenciar as articulações para 2028. Como a Constituição dos Estados Unidos impede que uma pessoa seja eleita presidente para um terceiro mandato, Trump não poderá disputar novamente o cargo. Com isso, o resultado das eleições de meio de mandato poderá influenciar a escolha de possíveis sucessores republicanos e o posicionamento da oposição para a próxima corrida presidencial.
Fonte: BBC Brasil.
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