por Redação
Evaristo Sa/AFP via Getty Images

A abstenção nas eleições de 2026 pode voltar a crescer e atingir um dos maiores níveis das últimas décadas, segundo avaliação do cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro O país dividido.

Em entrevista à BBC News Brasil, Nicolau afirmou que o cenário eleitoral deste ano apresenta sinais de menor mobilização do eleitorado. Para ele, a repetição da polarização política e o espaço reduzido para debates sobre propostas podem contribuir para o aumento de eleitores que não comparecerão às urnas.

Abstenção recorde em 2022

No primeiro turno de 2022, 32,7 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 20,95% do eleitorado apto. Foram registrados ainda 3,4 milhões de votos nulos e 1,9 milhão de votos em branco, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nicolau ressalta, porém, que a ausência não necessariamente representa desinteresse político. Entre os fatores estão o envelhecimento da população, eleitores fora de seus domicílios eleitorais e situações que impedem o comparecimento no dia da votação.

O cientista político também aponta que a facilidade para justificar a ausência, inclusive por meio do e-Título, reduziu o custo prático de não votar. Segundo ele, parte do eleitorado pode considerar que as consequências da ausência são pequenas.

Votos brancos e nulos

Além da abstenção, Nicolau avalia que os votos brancos e nulos podem aumentar em 2026. Na visão do pesquisador, uma parcela do eleitorado pode optar por não escolher nenhum candidato diante do cenário político atual.

O especialista também afirma que ainda não é possível determinar qual grupo político seria mais afetado por uma eventual alta da abstenção. Segundo ele, o impacto dependeria da distribuição dessas ausências entre diferentes regiões e segmentos do eleitorado.

Em 2022, a abstenção ficou em 20,95% no primeiro turno e em 20,59% no segundo, de acordo com o TSE.

Nicolau considera que o comportamento do eleitorado só poderá ser conhecido com precisão após a votação, quando será possível analisar onde e entre quais grupos a abstenção efetivamente aumentou.

Fonte: BBC Brasil.