
O Brasil registrou redução de 20,6% no desmatamento em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27). Apesar da queda nacional, estados do Nordeste e da região do Matopiba continuam entre os principais focos de perda de vegetação nativa no país, com destaque para o Piauí.
Pela primeira vez na série histórica do levantamento, o município de Canto do Buriti apareceu como o mais desmatado do Brasil, registrando 20.877 hectares de vegetação nativa perdidos apenas em 2025. O maior evento individual de desmatamento do país também ocorreu no município piauiense, com uma área de 20.834 hectares devastados. Segundo o estudo, a média diária de desmatamento na cidade foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.
O levantamento mostra ainda que a região conhecida como Matopiba — formada por Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e parte do Mato Grosso — concentrou mais de 63% de toda a área desmatada no país em 2025. Oito dos dez municípios brasileiros com maiores índices de desmatamento estão localizados nessa região.
Mesmo com a redução nacional, o Cerrado segue como o bioma mais pressionado, respondendo sozinho por 54,9% de toda a vegetação desmatada no Brasil em 2025. Foram mais de 540 mil hectares devastados no bioma, apesar da queda de 16,9% em relação ao ano anterior. Grande parte dessa área está concentrada justamente nos estados do Matopiba.
A Amazônia aparece na sequência entre os biomas mais desmatados, com 289,4 mil hectares perdidos no período, número 23,5% menor que o registrado em 2024. Juntos, Cerrado e Amazônia concentraram mais de 84% de toda a área desmatada do país.
No cenário nacional, o Brasil desmatou 984.794 hectares de vegetação nativa em 2025, ficando abaixo da marca de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019. Ainda assim, o país perdeu, em média, 2.698 hectares por dia, o equivalente a 112 hectares por hora.
Entre os biomas, o Pantanal apresentou a maior redução proporcional, com queda de 48,4% no desmatamento. Já os estados do Maranhão e Ceará foram os únicos do país a registrarem aumento relevante nas taxas de desmatamento em comparação com 2024.
O relatório aponta ainda que a expansão agropecuária continua sendo o principal fator responsável pela devastação ambiental no país, ligada a 99% das áreas desmatadas em 2025.
Nas áreas protegidas, houve redução do desmatamento em relação ao ano anterior. Em Terras Indígenas, a queda foi de 22%, enquanto nas Unidades de Conservação chegou a 21,4%. Ainda assim, o estudo alerta que mais da metade dos municípios brasileiros registraram ao menos um evento de desmatamento ao longo do ano.
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