
A Polícia Federal afirma que um grupo investigado por fraudes ligadas ao Banco Master oferecia pagamentos de até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para publicar conteúdos contra o Banco Central nas redes sociais. As informações constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero.
A investigação aponta o publicitário Thiago Miranda Silva como responsável pela articulação da estratégia, denominada “Projeto DV”, referência às iniciais do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a PF, influenciadores e jornalistas eram procurados para firmar contratos de confidencialidade e, posteriormente, produzir conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos às ações do Banco Central.
Ainda de acordo com a investigação, quem recusava participar do projeto poderia ser alvo de intimidações com o uso de informações pessoais e sigilosas obtidas de forma ilícita.
A PF sustenta que os pagamentos eram operacionalizados por Thiago Miranda, mas teriam origem em recursos ligados ao esquema investigado no Banco Master. O publicitário confirmou em depoimento ter coordenado ações de gerenciamento de imagem relacionadas ao banco, mas nega qualquer prática criminosa.
As investigações também apontam que o grupo teria reunido informações pessoais de jornalistas e executivos do setor financeiro, com o objetivo de pressionar, constranger ou desacreditar pessoas consideradas contrárias aos interesses do banqueiro.
Na decisão, o ministro André Mendonça autorizou buscas, apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do publicitário. Segundo o magistrado, os elementos reunidos pela investigação indicam uma atuação organizada para influenciar a opinião pública e intimidar pessoas ligadas ao caso.
Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer irregularidade e afirmou que o publicitário sempre atuou dentro da legalidade, da transparência e do respeito às instituições. Os advogados também sustentam que ele não participou de ações de intimidação ou violação de direitos e que irá colaborar com as investigações.
Fonte: G1.
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